25 de janeiro de 2015

Igreja Dialogal: Igreja do Futuro ou Futuro sem Igreja

     É fato inquestionável hoje que a Igreja se tornou um agente social. Formadora de opiniões, modeladora de pensamentos e influenciadora de comportamentos humanos nas suas múltiplas repartições. Da conversão do imperador Constantino no século IV em diante o cristianismo tomou novas formas- senão diferentes, no mínimo contraditórias- em relação a sua forma original, ou seja, a pequena comunidade messiânica que girava em torno de uma figura escatológica, a saber, Jesus de Nazaré, se tornou uma instituição colossal de caráter mais político, que religioso. Abandonando sua modelagem judaica se revestiu de uma nova roupagem romana- imperial, prova evidente disto é o fato de religião e política se confundirem na Idade Média e a Igreja revogar para si, não apenas o poder espiritual, mas também temporal, ou seja, o cristianismo assumiu sua posição política e representado nas cruzadas conseguiu a legitimação do poder político com uma linguagem religiosa.
     Como uma Igreja imperial não havia abertura da instituição. Qualquer que pensasse ou ousasse a expor qualquer pensamento ou ideia descomunal com o pensamento dominante era demonizado com a rotulação de herege e não apenas sua pobre alma, mas seu corpo queimaria nas fogueiras, quer do diabo, quer dos homens. O período medieval nos deixa a clara lição de que qualquer forma de totalitarismo, imperialismo e fundamentalismo sempre culminarão no atentado a dignidade humana, pois nos enclausurará na dicotomia: Eu sou o santo, o Outro é o demônio.
     Muitos contemporâneos se assustam com os atos terroristas cometidos pelos fanáticos islamitas, atos macabros legitimados pelo fundamentalismo religioso, mas o que vemos os fundamentalistas islâmicos fazerem hoje, não difere do que o fundamentalismo cristão fez ao longo de quase toda a Idade Média: Se insurgiram contra a vida em nome de quem delegam a origem dela, Deus!
     Certamente os religiosos não comungariam desta opinião, mas a ideologia do Renascimento e do Iluminismo, foram uma benção para a história humana, pois desvendou nossos olhos e nos fizeram enxergar na luz da razão o lugar "sagrado" do diálogo que precisa ser cultuado nas relações humanas. O "Profeta francês do Iluminismo" Voltaire já declamava "Posso não concordar com uma só palavra que você disser, mas defenderei até a morte: você tem todo o direito de dizê-las!". Admita ou não, mas a Igreja sofreu alterações nas suas concepções e metodologias, suas relações com o diferente-de-si precisaram ser repensadas e reinventadas.
     Ao menos no que diz respeito a representação Católica Romana do cristianismo, muitas mudanças se evidenciaram como, por exemplo, o fim da dicotomia fé x razão ou fé x ciência, interpretadas agora, não mais como contraditórias, mas complementares. A abertura ao ecumenismo, o que não significa o sincretismo religioso, mas abertura dialogal com o diferente. Mais espaço ao laicato, o que aponta, especialmente na figura do Papa Francisco (Ver. Encíclica Evangelli Gaudium) uma Igreja descentralizada do clero, da cúria e mesmo da figura do Papa e formada de "baixo pra cima", isto é, a partir do povo, contrariando sua formação histórico- imperial desde Constantino no século IV.
     Mas no que diz respeito ao meio Evangélico já não se pode escrever com tanto otimismo. Os evangélicos (ao menos a maioria expressiva) representam a ala esmagadora do fundamentalismo religioso brasileiro. Crença acrítica. Literalismo radical. Inaptidão ao diálogo. Beatificação de si mesmo e demonização do outro. Esses são alguns dos elementos que perfazem o DNA da maioria quase total dos evangélicos no Brasil. 
     O mundo se reinventa. As religiões também precisam se reinventar, isto inclui o cristianismo. Se reinventar aqui, não significa necessariamente, desconstruir todo o edifício no qual a velha cristandade se erigiu ao longo de mais de dois mil anos e começar do ponto zero, não! Reinventar no sentido que proponho, se traduz em saber ler e compreender o mundo de hoje, totalmente outro em relação ao mundo de Jesus ou dos apóstolos de dois milênios atrás ou mesmo do mundo Medieval onde a Igreja  foi soberana e seu modelo imperial dominou. O mundo de hoje é plural, onde os meios tecnológicos permitem uma inter-relação jamais imaginada, as informações borbulham não mais apenas nos livros armazenados nas bibliotecas, mas nas páginas da internet. As pessoas de hoje só são ignorantes se quiserem, pois temos acessibilidade. Não se acredita em mais nada sem se questionar (somente os ignorantes passivos), as pessoas não têm mais medo do demônio ou do fogo do inferno, a maioria interpreta- os como  "mitos medievais" ou como mecanismo de dominação religiosa ultrapassado. Filhos de pais de classe baixa (como eu) estão ingressos em Universidades conquistando suas graduações, mestrados e doutorados, o ceticismo ganha cada vez mais espaço nas mentes questionadoras movidas pelo fogo da dúvida e da prova.
     Uma Igreja dogmática que impõe verdades inquestionáveis é superada. Não se impõe mais nada a ninguém. As pessoas hoje questionam, indagam, querem explicações coerentes e provas irrefutáveis. Por séculos, a Igreja beatificou a fé cega e demonizou os espíritos críticos, mas a sociedade reverteu o panorama, beatificou os espíritos críticos e demonizou a fé cega e acrítica. Penso que a Igreja precisa repensar suas metodologias. Jesus não anunciou uma comunidade eclesial, fora do mundo, pelo contrário no mundo, ora, se por fé, os cristãos creem num futuro no lugar idealizado fora do mundo, ou seja, o céu, isto é uma "recompensa futura". O presente da Igreja é aqui e agora, na relação com o outro no palco da existência que é o mundo. Jesus deu o exemplo, viveu uma vida em diálogo com o mundo de seu tempo: dialogou com  Mestres da Lei (Lc. II.45-47) Políticos (Jo. XIX. 10-11) Marginalizados (Mc. X.49-52) dentre tantas outras figuras. Desde crianças, perpassando por pessoas de diferentes camadas sociais, quer cobradores de impostos, chefes de sinagogas ou leprosos e ladrões, Jesus era dialógico, isto é o que anuncia os Evangelhos.
     Concluo minha reflexão, evocando o fim do fundamentalismo, e reafirmo minha posição de que um ateu moderado faz mais bem ao mundo que um crente fanático. Evoco ainda a Igreja para repensarmos nosso lugar, posicionamento e relação no e com o mundo, sem desafiar as palavras de Cristo "As portas do inferno não prevaleceram contra minha Igreja" (Mt. XVI.18), mas talvez não sejam as "portas do inferno", mas a ignorância e a intolerância religiosa a maior ameaça a prevalecer contra a Igreja, ouso pensar, que a Igreja do futuro será dialogal ou teremos um futuro sem Igreja!
    
    

14 de outubro de 2014

O demiurgo de Platão e o Deus judaico- cristão: Críticas- Parte II (Final)

   

 Partindo de nossa introdução (Parte I) proponho analisarmos e criticarmos alguns pontos na temática a que nos submetemos. No que diz respeito a cosmovisão platônica protagonizada pelo demiurgo, ressalto dois pontos que me parecem solidamente coerentes: 

      1. Coerência na ordenação do universo: Na Suméria, Egito Antigo, Babilônia, Grécia ou mesmo em outras Civilizações Primevas, era costumeiro tributar todos os acontecimentos, quer na esfera cósmica ou na realidade material coletiva, à ação e intervenção da divindade. Fenômenos naturais, tais como, o nascer e o despontar do sol, a queda das chuvas, raios, relâmpagos e trovões, ou mesmo sentimentos humanos, p. ex., se apaixonar ou enfurecer-se, eram explicados como resultado de vontades e ações dos deuses. Fiéis a esta logica tinham por costume, relacionar os acontecimentos naturais a manifestação dos deuses. Todavia, mesmo antes de Platão, com os pré-socráticos, a saber, Tales de Mileto, Anaxímenes, Anaximandro e Pitágoras, já se buscava uma cosmovisão que se fundamentasse na razão-lógica para explicar a gênese do universo e do homem. Vale muito ressaltar, ao contrário do que muitos pensam, esses filósofos não eram "ateus" ou céticos quanto a existência da  Divindade, muito pelo contrário. Dentro do contexto histórico de sua época, criam sim nos "deuses", inclusive em seu diálogo, como o próprio Timeu, Platão pede a ajuda ao deus para suas exposições. Mas não eram "alienados" nem tampouco "fundamentalistas" (Não sei se é cabível estas colocações com sentidos muito mais contemporâneos), antes como "amantes da sabedoria" e filhos da racionalidade, tencionavam uma coerência para os enigmas da existência. Platão é extremamente conciliador, por um lado não nega a existência de um Criador, por outro, não se faz submisso ao miticismo de sua época. A ideia de Alma múndi em Platão é coerente e mesmo mediadora entre Fé e Ciência. Ora, se temos um universo regido por leis e princípios naturais que a ciência pode identificá-los e explicá-los, isto de forma alguma, significa a inexistência de Deus, pois foi o próprio Deus (ou demiurgo) que não somente edificou o edifício do universo, como pôs-lhe uma alma (leis físicas) que o regem de maneira ordenada e equilibrada.

      2. A superação do determinismo existencial: Vale ressaltar que há variações de determinismos, para nossa análise, cabe o teológico. O determinismo teológico é uma corrente de pensamento que afirma categoricamente "Deus pessoalmente ordena cada acontecimento", ou seja, todo acontecimento quer na esfera universal ou pessoal está pré- ordenada por Deus. Parece original e contemporânea esta ideia, costumeira no Cristianismo medieval e moderno, mas na realidade ela é mais antiga que o próprio Cristianismo, como visto acima.  Na cosmologia de Platão, essa concepção é superada. Se no século XV-XVIII, tivemos um movimento de "culto da razão", com o despertar da renascença e a eclosão do Iluminismo, que visavam, não necessariamente o fim da fé, mas uma valorização maior da razão, como meio explicável-lógico para o cosmos e o homem, a fonte de tudo isto, está em Platão! Ora, ainda que indiretamente e não explicitamente, mas encontramos no pensamento platônico, uma profunda liberdade do indivíduo, trocando por miúdos, o que denominamos de livre-arbítrio. Pensar no demiurgo como a personificação de um deus que não interfere na realidade existencial do individuo é o mesmo que afirmar que o "ser é livre", isto é, não há qualquer divindade ou força que determina o que seremos, mas temos o papel em branco e a caneta nas mãos, nossa História é de autoria pessoal! Por mais análogo e contraditório que possa parecer, mas pensar no "deus indiferente" de Platão se traduz em refletir o humano como autônomo de sua realidade existencial. Metaforicamente, Platão não nos permite pensar no ser humano como marionete nas mãos de um Outro Absoluto que determina tudo, mas, sem negar, a existência deste Outro Absoluto, concebe-o como construtor do universo e possibilitador da vivência livre dos seres criados em seu grande palco. 


      No que diz respeito a concepção de Deus na Teologia cristã, algumas prédicas são necessárias. Primeiro é importante a consciência que o antropomorfismo não é originário do Cristianismo. Descobertas arqueológicas revelam que povos como os sumérios, astecas e maias, tinham por costume reproduzir e representar seus deuses em formatos humanos e principalmente animais. No que tange ao Egito e Grécia, a História nos mostra que caracteristicamente, seus deuses, eram profundamente humanizados e marcados pelos sentimentos e paixões que são exclusivamente humanos. Vale esta ressalva, pois percebo muitos críticos se insurgindo contra a teologia cristã, sob a argumentação de que nosso Deus é humano demais, na realidade esta característica é milenar e mais antiga que nossa própria construção teológica. Vale citar o Filósofo e Teólogo Ludwig Feuerbach, "Toda teologia é antropomórfica, já que Deus é, essencialmente, a projeção do potencial humano não alcançado" (FEUERBACH, 1870).

      A exemplo do que fiz quanto ao demiurgo, quero fazer quanto ao Deus concebido pelos cristãos, analisar e tecer críticas sobre dois pontos.

      1. Antropomorfização como possibilidade não incoerente: Se me perguntassem, como eu explicaria Deus, utilizando uma só palavra, minha resposta fatalmente seria: Mistério! Dentre tantas inquietações que perpassam pela alma humana, certamente o questionamento incômodo pelo "problema" que denominados Deus, tem lugar privilegiado. Mas, o ponto de partida para compreender Deus é se conscientizar que "Deus é incompreensível!". Perpassando pelas Escrituras, soa claro que os autores sacros, tinham isto em mente. Em sua carta a Timóteo, S. Paulo afirma categoricamente, Deus "É o único que possui a imortalidade, que habita em luz inacessível, que ninguém viu nem pode ver" ( VI,16). De todos os textos das Escrituras, este é um dos que mais provoca-me fascínio e inquietações. Em três palavras, Paulo carateriza Deus com maestria: Imortalidade, Inacessibilidade e Invisibilidade, isto é, o Deus crido pela fé cristã, não tem origem, pois é o "Criador Incriado", ao mesmo tempo, não pode ser acessado, haja visto é o "Totalmente Outro" e tampouco pode ser capturado pela nossa visão, pois é "Espírito Invisível". Há ainda dois conceitos fundamentais na concepção de Deus: Transcendência e Imanência. O aspecto transcendente de Deus denomina-O como "Totalmente Outro", isto é, Deus é tudo que não sou e eu sou tudo que Deus não é, p. ex., Onipotente, Onipresente, Onisciente, Eterno, etc. No que diz respeito a Imanência, tange a emanação, isto é, presença evidente de Deus no mundo material. Ora, se Deus é essencialmente "Totalmente Outro", que não posso ver ou conhecer na sua essencialidade, passo a acreditar que o Antropomorfismo se torna uma possibilidade coerente na tentativa de representar o Impossível. Isto não quer dizer que "desqualifico Deus humanizando-O", mas que compreendo muito melhor Deus se quebro o muro da transcendência e trago-O pra dentro da minha humanidade. É óbvio que Deus não tem olhos, mãos, pés como narra a Escritura, mas como posso compreender alguém totalmente desconhecido sem utilizar do recurso linguístico que me faça compreensível sua incompreensibilidade? O demiurgo de Platão é um deus coerente, mas é no Deus dos cristãos que nós podemos encontrar o Deus presente, chamado Emanuel= Deus conosco! O demiurgo de Platão satisfaz minha necessidade intelectual, mas como não sou somente intelecto, me é muito mais atrativo o Deus da Fé cristã que comunga nas variações da minha sentimentalidade.

      2. O relojoeiro não criou apenas ponteiros: O demiurgo do nosso gênio Platão, funciona na linguagem deísta como um "relojoeiro mecanicista", expressão muito comum, para exemplificar a compreensão do  deus indiferente. Eu concordaria plenamente com os deístas no que tange a esta metáfora, se o relojoeiro tivesse criado somente ponteiros. Sim, quanto as leis que regem o universo podemos compará-las aos ponteiros que funcionam mecanicamente obedecendo princípios, talvez, imutáveis e garantindo a ordem do cosmos. Mas quanto ao ser humano (quer compreendido no criacionismo- direto ou no criacionismo- indireto, a saber, o evolucionismo) não somos seres amorfos. Se um homem cria um relógio, de fato não precisa criar qualquer tipo de relação, mas quando um homem tem um filho a necessidade da relação é emergente. Isto não quer dizer que Deus tenha que se relacionar com os homens por necessidade, mas por vontade. Convenhamos que por vezes, os autores bíblicos exageraram em suas antropopatias, isto é, atribuir sentimentos humanos a Deus, em certas situações, inverteram a ordem da criação: criaram um deus a sua imagem humana e semelhança, mas me chama atenção o aspecto relacional da concepção cristã de Deus. Para a Teologia cristã, Deus não é o "Outro isolado e solitário", ao contrário, o Deus dos cristãos é sociável, tão sociável que, na fé cristã, deixou seu lugar "Eterno de totalmente outro" e se encarnou em forma humana habitando entre nós. É ilógico uma aceitação literal deste Deus inflamado das Escrituras, p. ex., arrependido, raivoso e vingativo (Deus não é atingido ou manipulado por sentimentos exclusivamente humanos!), mas numa sociedade pós- moderna cada vez mais individualista e indiferente, fria e precisando de uma reforma de valores e relações, o demiurgo de Platão não pode ser evocado, ele pouco se importa e não interfere no mundo dos homens. Ao contrário, o Deus apresentado, especialmente no Novo Testamento, representado como Aba, um pai amoroso, ativo e participativo na realidade humana, pronto a quebrar as barreiras das diferenças que nos caraterizam e "reconciliar o mundo consigo mesmo" formando uma grande família, este Deus da utopia cristã, me soa como uma opção plausível...


(Cabe ressaltar que este tema é muito amplo e com posicionamentos diversificados. Este artigo é um modesto ensaio, não- dogmático e aberto a outras observações, quer provocativas, críticas ou comungais, afinal, dizia Voltaire: "Posso não concordar com uma só palavra que disser, mas defenderei até a morte: Você tem o direito de dizê-las!")






11 de outubro de 2014

O Demiurgo de Platão e o Deus judaico-cristão: Análises e críticas. (Parte I)

Disseram certa vez que quem fez Filosofia foi Platão, depois dele tudo é apenas comentário! Comungo quase que inteiramente desta opinião. É indiscutível que assim como Cristo dividiu o calendário da História, Platão dividiu o calendário da Filosofia. Quem não conhece sequer uma introdução básica ao pensamento platônico está descredenciado a compreender o pensamento filosófico e mesmo teológico ocidental. Platão influenciou diretamente e indiretamente diversificadas escolas de pensamento filosóficas- religiosas e místicas, inclusive a nossa escola cristã, não foi por acaso, que em um aprofundamento teológico que tive a feliz oportunidade de fazer, fui surpreendido a princípio quando o Mestre disse que, o Cristianismo é mais platônico que Cristão! Ora, ao menos no que diz respeito a construção da nossa Teologia, em seus primórdios, temos uma profunda influência do pensamento platônico, evidencia clara é S. Agostinho de Hipona, o que mais Agostinho fez, senão tentar "cristianizar Platão", isto é, sua construção teológica parte de uma interpretação platônica com as lentes da fé cristã. O célebre filósofo Nietzsche chegou a afirmar "Cristianismo é platonismo para o povo!". A obra de Platão é imensa e seus temas são plurais, como não é nosso objeto de discussão aqui e este espaço seria incabível, nos basta como ponto de partida, saber que Platão ofereceu uma cosmogonia a humanidade. Em sua cosmogonia, isto é, uma teoria da origem do Universo, temos um protagonista, a saber, o que Platão chama de demiurgo.
     Em muitos níveis se faz notar a influência de Platão no pensamento cristão, mas dentre alguns, excetua sua teoria da origem do Universo. Em sua magnífica e complexa obra (difícil e de impossível compreensão a quem não tem um conhecimento preliminar de Platão) chamada Timeu, Platão trabalha três temas:

1. A Origem do Universo, sua composição e funcionamento;
2. A Origem do Homem e sua anatomia física e metafísica;
3.  O "Mito de Atlântida".
     
     Vamos nos deter no primeiro tema. Ao contrário do cristianismo que defende uma posição da creatio ex nihilo, ou seja, uma criação a partir do nada, Platão defende uma matéria pré existente, em sua teoria havia "desde sempre", uma matéria totalmente desorganizada que ele denomina de Caos, o "deus" ou como é mais original em Platão, o demiurgo simplesmente teria trabalhado como um artífice ou organizador daquele grande caos. Partindo de um arquétipo, tipo de forma ideal, o demiurgo utilizou a matéria desorganizada preexistente organizando e "criando" um universo ordenado, que denominou de Cosmos. Ao contrário do Deus concebido na Teologia cristã, que segundo S. Agostinho, trabalha com o princípio de providência, isto é, está totalmente ligado a realidade material e interage com ela a todo momento, dialogando e punindo ou providenciando aos homens, em Platão tudo isto inexiste! Teorizou o grande filósofo que na realidade o demiurgo criou, na linguagem platônica, o que se chama alma múndi, ou seja, assim como o homem tem uma inteligência que o rege, que costumeiramente chamamos de alma, da mesma forma, o mundo tem uma alma, uma inteligência que a rege, que poderíamos simplificando chamar de leis físicas e naturais. Portanto, bem parecida com a moderna concepção deísta de Deus, Platão propõe um deus totalmente indiferente e ausente da realidade existencial do ser humano. (Claro que a teoria platônica é bem mais complexa, mas aqui cabe um ensaio simplificado!).
     A Teologia judaico-cristã, neste quesito é a antítese da tese platônica! Basta abrir o Primeiro Testamento e o que encontramos é um Deus totalmente antropomórfico, isto é, com formas e sentimentos característicos do ser humano: Ama, odeia, prioriza, persegue, pacifica, incita, é ciumento e colérico, por fim, temos um Deus totalmente inflamado e insuflado de sentimentos humanos. Se isto te impressiona, ao caminhar pelas páginas do Novo Testamento, os autores neotestamentários superam seus predecessores: Deus não apenas tem sentimentos humanos: Ele próprio se faz homem! (Continua...)

3 de outubro de 2014

Acreditem: Satanás é "inocente!"

    A Figura de Satã no Primeiro Testamento é escassa. Pode-se argumentar que o episódio que delimita a queda do homem na narrativa de Gênesis 3 apresenta Satã como protagonista. Bem, em primeiro lugar, por mais que subtenda-se que a serpente estaria "incorporada" pelo mal, todavia, não há citação direta da figura deste "ser mal", a narrativa vai se construindo apontando a serpente como portadora das falas. Segundo, neste conto de Gênesis, em momento algum, a serpente (personificação do mal) impõe ou mesmo obriga o homem a aceitação do mal (temos um diálogo culminante na aceitação espontânea). Transcorremos todo o Gênesis e não temos registros de Satã, curiosamente a teologia e espiritualidade judaica Veterotestamentária não põem enfase ou sequer dá lugar de destaque a esta figura com ares bem míticos. Vamos além, percorra todos os 39 livros (na Bíblia Judaica e Protestante) ou 46 (na Bíblica Católica-romana) do que se denomina de Tanach ou Velho Testamento, o máximo que vai encontrar são 9 referências a Satã, curiosamente todas concentradas no Livro de Jó, dependendo da versão utilizada, talvez encontre mais 2 ou no máximo 3 referências a esta figura.

      Em contrapartida, a Teologia Neotestamentária é bem mais dualista (certamente pela influência platônica sobre os escritores judeu- helenistas) e se constrói de uma maneira a pensar a perplexidade da existência e os conflitos humanos, partindo de um conflito cósmico que envolva duas forças: Bem e o Mal, Luz e as Trevas. Em todo o bojo do Novo Testamento temos  pelo menos 32 referências a Satã, sem contar com a menção aos seus coadjutores e correligionários, os demônios. Os Evangelhos apresentam um Messias "mitológico", isto é, não apenas um restaurador de um Israel marcado pela opressão e o salvador dos desesperados, mas também é o "derrotador de demônios", na mentalidade da época, meros humanos não poderiam exercer qualquer poder sobre seres supra-reais, no mínimo, era necessário ser um filho dos deuses, a saber um semi-deus, como o Hércules da mitologia grega. Os autores evangélicos, dão seu recado ao retratar o Messias, ele não está retido nos limiares da humanidade, carrega sinais da divindade.

      O apogeu desta Teologia dualista da existência, encerra-se no Apocalipse, entre todos, o menos literal das Escrituras, pois o próprio autor usa em demasia figuras, imagens e explora o simbolismo. Mas o recado é simples: No final, Satã será derrotado outra vez e o Bem vai prevalecer finalmente! Se o Primeiro Testamento é Teocêntrico e o Novo Cristocêntrico, ousaria dizer, sem radicalidade, que por muito tempo (hoje ainda temos sequelas) a construção da Teologia Cristã foi "Satã- cêntrica".

        Certamente, vai causar escândalo ao leitor fundamentalista fanático (que não deixa as luzes da razão iluminar seus horizontes) a colocação que vou fazer, mas tenho percebido a "importância de Satã" para a fé ao longo da História e se perpetua ainda hoje na contemporaneidade. Um dos maiores equívocos da Teologia foi "culpabilizar Satã pelo mal total do mundo", ora, não estou desacreditando, nem tampouco desconhecendo a realidade contingente e influência deste "ser" para o mal do mundo, mas o grande problema é que por trás da ênfase e declamação de Satã como o grande culpado pelo mal do mundo, se esconde uma verdade, pouco assumida: A culpa do mal no mundo não é de nenhum outro é nossa! 

        Que a realidade do mal era preexistente antes do mundo físico, parece se evidenciar pela narrativa bíblica da queda de Lúcifer, todavia, o conto do Gênesis nos mostra que a exemplo de Lúcifer o homem originalmente foi criado "bom", criado de maneira tão complexa e mística que a Escritura declama que o homem fora Imago Dei, ou seja, Imagem de Deus, mas o homem só poderia ser Imago Dei se carregasse consigo um marco essencial da essência de Deus: A Liberdade! Deus é o Todo Livre e o homem também precisava ser! Por muitas vezes, alunos e curiosos me perguntaram:
-Se Deus é bom, porque plantou no jardim a árvore do conhecimento do bem e do mal?
Minha resposta é simples, ora, se Deus tivesse posto só o bem diante do homem, não seríamos livres, antes "condenados a bondade", o que aparentemente seria uma benesse, mas não, se tornaria malévolo, pois não nos permitiria o "direito a liberdade de escolha".

        Deus não impôs o bem (ainda que tenha nos criado bons) ou o mal, nem tampouco Satã impôs o mal ao homem, parece análogo, mas Deus e Satã, neste quesito especificamente, atuam de maneira parecida: Apenas propõem ao homem o direito a escolha! Não sei se minha ilustração é coerente, mas quem tem a culpa por uma  pessoa ser alcoólatra: O dono do bar que vende a bebida ou a pessoa que livremente a compra e  ingere desordenadamente? Não quero fazer o papel de "advogado do diabo", mas tem muita gente se eximindo de suas responsabilidades e utilizando de "seus demônios" como justificação. Culpabilizar um Satã qualquer é muito mais prático que se assumir. Entretanto desde o princípio foi assim: Adão erra e a culpa é de Eva. Eva erra e a culpa é da Serpente. A Serpente erra e a culpa é do Satã!

       Talvez tenha chegado a hora de "desculpabilizar" um ser abstrato e invisível por muitos males de um mundo que nós mesmos colocamos no caos desde o começo, pelas nossas irresponsabilidades com Deus, o próximo e o Meio- Ambiente..

        Se acredito em Satã? Sim. Mas não apenas em um Satã, acredito em vários Satãs de carne e osso espalhados por ai, e é muito fácil identificá-los: Não respeitam o próximo, roubam trabalhadores, exploram o trabalho infantil, semeiam drogas e destroem jovens, estupram mulheres e batem em suas esposas, traem suas famílias com prostitutas, usam a religião pra alienar e assassinar massas humanas, destroem a natureza e acabam com o Meio Ambiente, são profícuos responsáveis pela desigualdade social e o desiquilíbrio natural, eis aí,  a verdadeira "origem do mal". São esses Satãs que realmente me causam temor!




(Que os leitores tenham sensibilidade de perceberem que esta não é uma leitura Teológica- dogmática, mas Teológica- Social).

7 de setembro de 2014

Teologia social: da especulação á práxis!

Nos idos do Século II-III da nossa era, uma proliferação de "Evangelhos" surgiram a respeito da vida de Jesus, vários e diversificados relatos a cerca da possível história real da vida de Jesus foram escritos e disseminados, a maioria deles rejeitado pela comunidade cristã e considerado "obras gnósticas" e sem credibilidade histórica, na ótica dos "Padres da Igreja". Desde meados do século XX esses evangelhos descartados foram retomados na busca de reinterpretar o Jesus Histórico e sua representação na construção dos vários grupos que o admiravam naquela época.
    Mas vamos nos ater aos denominados "Evangelhos canônicos", a saber: Mateus, Marcos, Lucas e João. Esses autores têm propostas e finalidades diferentes ao escreverem a vida de Jesus, hoje a maioria dos teólogos e biblistas reconhecem que não haviam nos escritores intenção de relatar uma biografia de Jesus, mas de apresentar o que ele representava para cada um deles e suas experiências da caminhada dele. Mateus quer mostrar um Jesus messias, Marcos quer mostrar um Jesus que se faz servo, enquanto Lucas quer revelar o Filho do homem, em João o mais tardio, temos o Jesus que é o Verbo divino encarnado. Várias representações de Jesus vem sendo construídas divergentes da construída na tradição cristã, mas se queremos um conhecimento de Jesus a partir dos Evangelhos, temos de refletir a própria Teologia em si.
    É inegável que Jesus era uma figura escatológica, o místico "reino de Deus e reino dos céus" eram constantes em seus discursos, muitas vezes inflamados, certamente como conhecedor das Escrituras hebraicas, Jesus sabia que o messias tinha um apelo político-escatológico muito forte e a restauração do reinado davídico era prédica do messias prometido. Ele prometeu este reino. Mas como estudioso de Jesus, o que mais me cativa  atenção nele é o que eu chamo de sua "Teologia Social", se a Igreja nos seus primeiros anos se ocupou tanto em tentar comprovar a divindade de Jesus e principalmente nesses dias floresce uma ênfase maior no teor escatológico das Escrituras, eu sou apaixonado pelo Jesus-humano, sua caminhada, palavras e atitudes são exemplares. Se por um lado ele aclamava o Reino dos céus, por outro não se ausentava da sua responsabilidade de construir este Reino aqui mesmo na terra, entre os homens. A Teologia de hoje é muito mais especulativa e abstrata, o que por si não tem nenhum problema, mas penso que muitas teologias se perderam ao longo da história.
    Temos conflitos travados entre calvinistas e arminianos que digladiam pelo problema livre-arbítrio e predestinação, enquanto pré -tribulacionistas e pós-tribulacionistas discutem se a Igreja passará ou não pela "grande tribulação", literalistas e simbolistas se confrontam pela interpretação da criação da terra, e ainda há retrógadas denominações que se colocam mais santas por "usos e costumes". Hoje temos as mais diversificadas "teologias" imagináveis, pra todos os tipos e gostos. O problema é que cristianismo não é uma filosofia meramente, o cristianismo autêntico é sinônimo de práxis, Jesus não objetivou formar uma escola de pensamento simplesmente, e fazer de seus seguidores pensadores, ao contrário, se por um lado ele evocou o reino dos céus, por outro ele materializou este reino aqui mesmo na terra: trouxe paz aos aflitos, consolou os que sofriam, priorizou os pobres sem desprezar os ricos, reintegrou os marginalizados na sociedade, criou pontes entre os diferentes, dialogou com outros e fez o que fez sem barganha ou materialismo, ao contrário creu, disseminou e viveu em amor. Sua Teologia não era uma especulação de Deus, era uma prática que representava o próprio amor de Deus!
      Os primeiros discípulos eram homens simples, mas se por um lado não tiveram intelectualidade suficiente para teorizar Deus (salvo exceção de Paulo), puderam universalizar o credo em Deus pela sua prática social, com a ideia revolucionária de um Evangelho com e para o outro, talvez aqui esteja a maior magia do cristianismo, pensar em um Deus que se humaniza para se socializar com os humanos! Que voltemos nosso olhar a este Evangelho, que não sejamos apenas teóricos de Deus, mas que emanemos Deus no nosso jeito cristão de ser...

"Aquele que diz estar nele, deve andar como ele andou" (I João 2.6)

30 de agosto de 2014

A coisificação do Evangelho: Quando Igreja vira negócio!

  Dentre as três maiores religiões do mundo: Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, a última ainda tem um lugar de destaque. Se comparada a longa Idade Média onde a Igreja conseguiu a façanha de "Cristianizar" o Ocidente a tal ponto de tornar-ló conhecido na História como: "Civilização Cristã", de fato o Cristianismo já não tem mais hegemonia e têm na contemporaneidade muitas religiões e seitas em crescimento que tem atraído uma nova geração pós-moderna que busca o novo, uma nova espiritualidade, muitas vezes, uma espiritualidade que fuja dos padrões tradicionais e milenares, tal como a espiritualidade cristã.

       Todavia o Cristianismo ainda é celeiro de multidões que na pluralidade da Cristandade: Católicos, ortodoxos, protestantes históricos, reformados, pentecostais, neopentecostais, conseguem encontrar um ponto de unidade para tanta pluralidade: A centralização da Fé na figura de Jesus. A figura de Jesus é profundamente discutida, principalmente nos meios acadêmicos,  para alguns ele nada mais é do que produto da criatividade mitológica da Igreja, para outros, de fato ele existiu, mas os Evangelhos canônicos estão longe de serem documentos fidedignos para um historiografia. Nossa problematização não se concentra aqui, portanto vale apenas ressaltar algo indiscutível: factual ou mitológico, Jesus dividiu a História e se tornou o cerne da existência de milhões de pessoas ao longo do mundo nos últimos dois mil e poucos anos.

       Para os cristãos, os Evangelhos são  fontes primárias e fiéis da vida, obra e palavras de Jesus. Este ponto é digno de ser ressaltado, haja vista, que segundo Mateus, Jesus disse: "Basta ao discípulo ser como seu Mestre" (Mt.10.25). Este dito de Jesus simplifica toda a obra do discipulado, um contínuo esforço para ser parecido com seu Mestre! Apesar de todas as controvérsias e ficções que envolvem Jesus, os Evangelhos apresentam-no como um homem simples, humilde, conciliador e quebrador de protocolos e paradigmas. Em um contexto histórico do Século I de opressão política e religiosa ao mesmo tempo- afinal política e religião estavam estreitamente interligadas- Jesus aparece como um paradoxo numa sociedade  complexa. Enquanto grupos incitavam a revolta, ele defendia a paz, se os homens se mostravam egoístas, sua mensagem pregava "dar ao que pede e não desviar de quem pede emprestado", em uma sociedade a espera de um reino político nas terras palestinas, Jesus contrapunha apregoando um reino muito mais poderoso, "O Reino dos Céus".

          Jesus conseguiu com seu amor incitar ódio e com seu discurso de conciliação promover divisão e separação; incomodou Roma- isto se não tiver se tornado uma ameaça a ela- e contraiu inimigos como os saduceus e fariseus, grupos elitizados de sua época, mas também fisgou corações de multidões, principalmente os marginalizados da época: pobres, mulheres e gentios! A arte de fazer discípulos percorria sua personalidade e de fato foi o que ele mais conquistou: Discípulos e promulgadores de suas ideias.

       A síntese da obra missionária de Atos dos Apóstolos é simples: A comunidade dos cristãos deveriam ser e promover a extensão do que Jesus era, isto se a própria Igreja não devesse ser, uma introdução do "Reino de Deus" na terra! Mas a Igreja se perdeu, a politização da Igreja e a negociação da Fé macularam o simples e incorrupto "Evangelho Original". Do grupo de simples e humildes seguidores, imperadores, senhores feudais e tantos homens poderosos se proliferaram no seio da Cristandade ao longo da Idade Média, como resultado: Uma coisificação do Evangelho! O Evangelium que deveria ser a "simples boa nova de Jesus", se metamorfoseou no produto de uma Igreja institucionalizada e contaminada pelos processos de mutação sociais e econômicos, tais como, o mercantilismo e o capitalismo.

     Não há problema em haver homens de negócio na Igreja, afinal, Jesus universalizou a possibilidade de salvação e graça a todos, não apenas ao pobres da terra, o problema é quando os homens de negócio fazem do evangelho, também um negócio! O problema não ficou retido nos anais do período medieval com o Catolicismo Romano e sua negociação do Evangelho, como as "indulgências", atravessou a modernidade e perdura com força máximo na contemporaneidade, especialmente nas igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais.

           É decepcionante, cansativo e revoltante perceber a Igreja Evangélica que outrora condenava o Catolicismo Medieval, hoje se faz refém de um abismo muito mais profundo.  Quantos são, os auto intitulados Bispos e pastores, sem contar os "lucradores" itinerantes que veem em seus "ministérios" boas possibilidades de lucro. Não digo que seja errado a manutenção do obreiro pela Igreja, nem tampouco o ofertar aos pregadores itinerantes, o que seria até mesmo anti- bíblico, haja vista, Jesus mesmo teria dito "que o obreiro tem direito ao seu salário". Minha denúncia são aos "ratos de altar", que usam de sua capacidade de manipulação das massas para explorarem o povo, que na sua cega ignorância, são levados tais como "ovelhas para o matadouro".

            Que tenhamos coragem de "descoisificar" o Evangelho e tornar a reinterpreta-lo como Graça e não apenas como, mas como um Evangelho que foi e deve ser dado: De graça! Lembremos das Escrituras:

"E durante a viagem, anunciem que o Reino dos Céus está próximo. Curem enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem leprosos, expulsem demônios. Vocês receberam de graça, de graça deem" (Mateus 10.7-8)

1 de junho de 2014

Uma praga chamada: Religião

Três forças regem o mundo: Política, economia e religião.
Todos nós estamos sobre o poderio ou no mínimo a influência de algumas destas três potências. Dentre elas, quero ressaltar o papel da religião de maneira sintetizada no transcorrer da história e ensaiar uma crítica sobreposta por uma reflexão, no que diz respeito ao papel da religião essencialmente na contemporaneidade.
A começar pela simples definição da palavra, religião se origina da palava religare, que significa: re-ligar, ou seja, tornar a conectar e/ou unir aquilo que estava desconexo e rompido. Teoricamente a religião deveria ser o lugar do encontro, onde as desuniões se desfazem e as diferenças se rendem ao culto da unidade.
Honestamente não tenho autoridade para situar onde a religião nasceu, nem posso pontuar qual foi a primeira religião a surgir, todavia uma verdade é categórica, o ser humano é um ser religioso por condição. Evidência maior disto é a pluralidade religiosa que ronda as várias culturas ao redor do mundo.
Problema maior é o fato de que o conceito e mesmo a proposta da religião foi e tem sido contrariada ao longo do tempo. Aquilo que deveria unir e aproximar tem sido o principal ponto de desencontros e indiferenças que resultam em divisões e a promoção de conflitos.
Me sinto habilitado para falar da minha própria. Sou cristão.

O Cristianismo nasceu como uma seita dentro do Judaísmo farisaico.
Jesus era Judeu, presente nas celebrações do Templo e ativo nos encontros das Sinagogas- onde estava todos os sábados, ora pra ouvir as lições, ora pra ensinar e numa dada oportunidade, para se proclamar o Mashiach prometido da profecia messiânica de Isaías 61.
É perceptível ao estudioso atento dos Evangelhos que Jesus intentou muito mais uma reforma da sua Religião original-o Judaísmo- que necessariamente a criação de uma nova. Não é por acaso que alguns autores apontam Paulo como o "fundador" do Cristianismo. Não sou radical e não vejo em Paulo o "fundador" da Cristandade, mas sem dúvida alguma é o principal articulador e protagonista na construção da Cristandade.
Nos idos do Século I e II E.C, os Cristãos eram um grupo de messiânicos dissidentes do Judaísmo, alvo da perseguição de Judeus e Romanos de onde surgiram uma vasta gama de mártires.
Cabe ressaltar que a denominação Cristãos ou Messiânicos  foi posta sobre os discípulos de Jesus pela primeira vez em Antioquia (At. 11.26), pelo simples fato de que a conduta daqueles homens refletiam e relembrava a caminhada de seu Mestre, O Messias Jesus.
Esta deveria ser a sina da nova comunidade religiosa: ser cristãos, ser discípulos do Cristo.
No século III, os cristãos foram "libertos" das amarras da perseguição. Com a conversão do Imperador Constantino, a Cristandade deixou de ser a pobre comunidade de perseguidos indefesos e se tornou a poderosa senhora que veio posteriormente a deter- todo poder e autoridade- protagonizando politica e economicamente ao longo de toda a Idade Média.
A Cristandade deveria levar a "palavra da reconciliação" (II Co. 5.19) atravessando culturas e se inserindo em diversidades, lhe era outorgado o dever de amenizar diferenças e criar pontes ao invés de levantar muros.
Mas a Igreja foi cruel, forçou a fé, menosprezou e demonizou o diferente, foi intolerante com o que lhe era estranho e cunhou de peste e herege ao que usando da liberdade de pensar, pensou e se expressou diferente de seus dogmas, como resultado queimou e banhou de sangue um longo período da história.
O Re-ligar não funcionou. A religião que deveria ser uma benção, foi uma praga para a história humana.
Aprendemos muito com a história. Com o advento da Renascença, Iluminismo e as Revoluções-especialmente a francesa- novas luzes dissiparam a escuridão ideológica em que o mundo estava mergulhado.
Mas ainda hoje a escuridão tenta perturbar-nos. Sob o estandarte da religião muitas desgraças têm assolado a humanidade. Atentados, tragédias e o principal, o sepultamento do que há de mais sagrado: A unidade.
Não estou propondo a partir desta crítica uma ideia de miscigenação religiosa, ou promulgando o culto do Ecumenismo, não!
Como cristão acredito ortodoxamente que somente o Evangelho tem poder para mudar o homem no presente e através de Cristo proporcionar-lhe a salvação de suas almas na eternidade (Rm 1.16).
Nem tampouco estou igualando todas as religiões com seus cultos do "sagrado", porque creio piamente que somente Jesus é "Caminho, verdade e vida" e o único condutor do homem a Deus (Jo 14.6).
Mas meu convite é a repensarmos a religião. A observarmos a religião não como um meio para a discordância e promulgação da indiferença e do descaso, mas como um ponto de encontro. Como um lugar onde eu posso encontrar aquele que é diferente de mim, diferente na maneira de pensar, mas tão igual na forma de existir: humano, inevitavelmente humano. A se libertar da religiosidade que nos reduz ao fanatismo cego e nos ilude com a ideia de sermos "senhores da verdade" e sobretudo a nos abrirmos ao diálogo tendo consciência que Deus não é o objeto de nossas teologias, muito menos um frágil conceito das nossas filosofias e que por mais desafiador que isto possa parecer, confessar que o outro também pode conhecer Deus-ainda que numa abordagem diferente da minha.

Mas se não pudermos nos abrirmos ao diálogo que tenhamos no mínimo, o respeito ao outro pois como diria Sartre " Somos condenados a liberdade" e parafraseando Voltaire " Posso não concordar com uma só palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-la!". Vale ainda ouvir Jonathan Swift: "Temos bastante religião para fazer-nos odiar uns aos outros, mas não o bastante para que amemos uns aos outros". Partindo deste pressuposto se torna fácil compreender Gandhi quando afirmou: " Deus não tem nenhuma religião" ou a colocação de Marx ao denunciar: " A religião é o ópio do povo!"
Cuidemos para que a religião não se torne uma praga novamente,se já não tiver se tornado!

Sobretudo ouçamos as Escrituras:

"Se alguém se julgar religioso, sem refrear a língua, mas enganando-se a si mesmo, vã é a sua religião. A religião pura e sem mancha diante de Deus Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas em sua aflição, guardar-se do mundo para não se manchar" (Tg. 1.26-27)
(Tradução Ecumênica da Bíblia)


10 de maio de 2014

Perigo!

 Martinho Lutero foi radical ao afirmar que " a Filosofia era uma prostituta, filha de satanás", enquanto Felipe Melanchton acreditava que a Filosofia poderia ser útil ao exercício da Teologia em seus métodos. Karl Barth, o ilustre teólogo reformado do século vinte é mais conciliador ao não demonizar a Filosofia mas sem também escravizar a Teologia ao método filosófico, como dizia: "Teologia é ciência livre, alegre e modesta", diga-se de passagem que foi Barth o instrumento que Deus usou para reconduzir a igreja aos caminhos da verdadeira ortodoxia que não é dominada por tradições e teologias secularizadas, mas submissa incondicional da Palavra de Deus, fazendo coro a uma das cinco solas: "sola scriptura".
     Comungo da ideia de Barth, a filosofia não é demonizadora, mas também não é prédica para a Teologia, muito menos senhora desta. A Filosofia é filha da razão e a bíblia fala de culto racional, equilíbrio e importância da razão, todavia a Teologia não é filha da razão (humana) é filha da Fé, aliás sou fascinado pela colocação de Barth quando ele disse que " a Fé não é a matéria da Teologia é prédica para se estudar Teologia", se a razão é importante no aprendizado do sagrado, a fé é indispensável, afinal o mesmo Paulo que nos orienta a um culto racional, não é contraditório ao expôr que " ninguém entende as coisas de Deus, senão pelo Espírito de Deus". Nosso culto deve ser racional, mas a razão não é o limite para nossa liturgia!

     Foram os tempos em que a ignorância era soberana no seio da Igreja, ainda é fato sociológico o fenômeno religioso com proporções muito maiores nas camadas pobres da sociedade, todavia houveram avanços significativos no status quo da massa que compõe a formação da cristandade pelo menos no que diz respeito as terras tupiniquins. Parece que a Igreja herdou em Cristo a promessa a Israel de ser "cabeça e não cauda" (Dt. 28.13) de "desfrutar do melhor da terra" (Is. 1.19) e "se assentar entre os príncipes da terra" ( I Sm.2.8). É no mínimo gratificante saber que a Igreja deixou para trás os tempos da ignorância e compreendeu que se devemos crescer tanto em graça, não significa que devemos negligenciar o crescimento também no conhecimento (II Pe. 3.18).
Temos intelectuais nas fileiras da Igreja: Teólogos, Filósofos, Sociólogos, Historiadores e tantos Doutores.
Mesmo em tempos passados intelectuais da Igreja conquistaram respeito no ambiente secular tais como: Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino, Martinho Lutero, João Calvino, Soren Kierkegaard, Karl Barth, Rudolf Bultman e tantos outros que precisaria de um memorial para expôr seus nomes. Mesclados: católicos e protestantes, da Igreja fluíram figuras que somaram na história do pensamento da humanidade.

     Ainda hoje podemos citar tantos outros nomes que ainda desfrutam da vida, mas não é o o objetivo aqui. A Igreja produziu suas teologias e filosofias-ainda tem muito a avançar-mas a intelectualidade é uma verdade incontestável na realidade da Igreja. Se é gratificante por um lado é ameaçador por outro. Por que? Ora porque ainda que discordo de Lutero que a Filosofia seja uma "filha de satanás" concordo quando ele diz que "ela contamina a pureza do evangelho". Se não devemos desprezar o que de útil pode nos oferecer a Filosofia e mesmo as teologias, não podemos nunca nos esquecer que nossa fé não repousa no tapete da racionalidade humana, mas nosso sólido alicerce ainda (e sempre assim será) se sustenta sobre a "  Loucura da pregação" ( I Co. 1.21).

     Lembrava nesses dias de figuras como Jhon Wesley, D.L. Moody, Kathryn Kuhlmn, Billy Grahan, não menciono no que diz respeito a teologia de cada um deles, pois em alguns aspectos tenho discrepâncias, mas menciono como figuras que indiscutivelmente sacudiram um tempo, marcaram época e se canonizaram nos anais da História por levar o evangelho ao mundo e trazer boa parte do mundo ao reconhecimento de Cristo como seu salvador, para tal não precisaram de nada mais, senão do "vento impetuoso do Espírito " que movia-os a lançar as redes no mar do mundo escuro e fazer brilhar sobre os perdidos a luz da salvação em Jesus.

     Talvez precisemos como diria a Sra. Kuhlman: " Voltar a velha bíblia"  ou como ressoou Lutero, fazer da nossa mente " Escrava da palavra de Deus", lembremos que nossas teologias são complexas - e talvez seja as complexidades que tragam brilho a teologia- mas o evangelho é simples e simplesmente revolucionário.

    Possivelmente seja hora de compreendermos que não devemos desprezar o conhecimento, mas jamais esquecer que se por um lado a graça sem o tempero do conhecimento pode nos conduzir ao terreno do fanatismo, por outro lado o conhecimento sem  a graça pode nos lançar no calabouço de uma vida cristã fria e racionalizadamente secularizada.

   Tenhamos equilíbrio, amemos o conhecimento, mas amemos muito mais o Senhor de todo o conhecimento.
O Conhecimento pode transformar uma maneira de pensar, a Graça pode transformar um mundo inteiro!  


30 de janeiro de 2014

Demonização do Deserto: Palco para a Teologia da Facilidade

     Nas minhas buscas incansáveis pelo conhecimento do novo- novidade sobre Deus, ou quem sabe, leituras sobre Deus, encontrei um tema muito interessante de um DVD de mensagem: " Felicidade ou Facilidade?" o autor desta mensagem não é um dos nossos poucos, mas bons pregadores de confissão protestante da atualidade, o expoente é um sacerdote católico- Padre Fábio de Melo, SCJ. Ainda não tive a oportunidade de assistir a esta exposição, todavia este tema me cativou a atenção e me levou a uma intensa reflexão introspectiva e ao mesmo tempo externa. Introspectiva porque por vezes somos traídos por nossas próprias emoções e a ilusão da facilidade nos seduz a pensar que felicidade é sinônimo de facilidade quando na realidade é mais provável que seja o antônimo, o caminho que conduz a verdadeira felicidade é por vezes desértico e melancólico. Ainda trago esta reflexão para a exterioridade pois vemos uma sociedade cada vez mais adepta ao descartável, mesmo as relações mais próximas e afetivas como: Casamento, amizade e irmandade se desmoronam e desfazem em um processo de desconstrução de todo o valor que outrora lhes fora atribuído.

     O porque é simples: A consciência moderna trouxe para nós a ideia de desnecessidade do difícil e a supervalorização de tudo que é rápido, fácil e simples. Cultivamos a ideologia de conquistas fáceis e a curto prazo- se é que temos ainda a noção do que seja prazo. O problema maior é que esta mentalidade mundana, produto de uma sociedade extremamente capitalista invadiu as portas da comunidade cristã, sendo palco para uma pseudo teologia denominada Teologia da prosperidade, esta teologia prega a prosperidade do crente, seu direito de ter, poder, conquistar e possuir, não apenas possuir, possuir com possessividade. A ênfase exagerada no ter, menospreza inteiramente o valor que deveria haver no ser. Não é novidade o antigo dito popular: " o homem vale o que tem no bolso", de fato o valor é produto de uma exterioridade e não a realidade da interioridade de cada indivíduo. Proclamar que o crente deve ser próspero não é antibíblico de forma alguma, ao contrário é evidenciado nas Escrituras o Pai amoroso que almeja dar o melhor aos que n´Ele creem e obedecem (Is 1.19), Paulo ainda explicita que o Criador cuidadoso, em Cristo tem a cautela de suprir todas as nossas necessidades (Fl. 4.19), sendo assim, o problema é que a pseudo Teologia da Prosperidade descentraliza a responsabilidade da Cruz e centraliza os benefícios que por intermédio dela nós temos. Costumo dizer que: se tirarmos a Cruz do cristianismo, o máximo que seremos são evangélicos, cristãos jamais!

     O efeitos de uma sociedade degradada com uma teologia deturpada é a demonização do deserto!
É notório a percepção nas exposições dos "pregadores profissionais" sua ênfase num Deus que tem somente vitórias, milagres e bênçãos. Somente? É contraditório com as palavras do próprio Senhor que foi enfático: " No mundo tereis tribulações" (Jo. 16.33) e ainda " Se alguém quer vir após mim, tome sua cruz" (Mc. 8.34-35). O Deserto não é o terreno do inimigo, as Escrituras são precisas, o deserto é uma escola de Deus. Deus carregou o povo pelo deserto (Êxodo 14) Conduziu Cristo a este lugar (Mt. 4.1) e se somos seus discípulos não passaremos por ele também? (Mt. 10.25). Está na hora de repensarmos nossa fé e desmitificarmos os mitos, um deles é que o deserto é demonizado e que a passagem por ele é demoníaca. Concepções fracas como estas preparam a base para uma teologia da facilidade, onde nossas orações só se concentram no "venha a nós" e nos esquecemos da chave da oração modelo "seja feito tua vontade assim na terra como nos céus". Não seria por isso que temos tantos evangélicos- religiosos e poucos  cristãos- que compreendem profundamente o verdadeiro significado da Cruz?

     Não estou divinizando o deserto, não acredito que o deserto seja o lugar da estada do cristão, mas não acredito também que o deserto não seja, parte do caminho inevitável que precisamos percorrer, portanto cabe-nos repensar nossa fé e apreendermos que a fé não nos imuniza do deserto, antes nos permite o deserto, mas enxergando que é justamente o deserto que qualifica, intensifica e amadurece a nossa Fé. Afinal Cristo em nós não inviabiliza o deserto, mas credencia-nos nele, portanto tenhamos a mente de Cristo e descansemos nas palavras de Paulo, o apóstolo dos gentios:

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

 "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz  a paciência,
 E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.

 E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." ( Romanos 5.3-5)
Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,
por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança;
a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança.
E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.

Romanos 5:1-5
Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,
por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança;
a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança.
E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.

Romanos 5:1-5
Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Romanos 5:1-5
Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Romanos 5:1-5

23 de janeiro de 2014

A Inutilidade de tentar provar a existência de Deus


    É indiferente o fato de sermos ou não de alguma profissão religiosa, para pensarmos a existência de um "Ser Superior", "Mente Universal", "Divindade Absoluta" que em simplificação denominamos Deus. Afinal de contas Deus existe? Se existe, quem ou o que é Deus? Será Ele de fato nada mais que produto da criatividade humana e maior invenção do único Criador que existe, o próprio homem?Ou de fato é mesmo ilógico e inconcebível pensar que todo o cosmos com sua organização minuciosa seria inimaginável e se faz incompreensível sem a figura de um Criador ou Perfeito Arquiteto que tudo organizou?

     Dizia Voltaire, célebre vulto do pensamento iluminista: "Se Deus não existisse seria preciso inventá-lo, todavia a própria criação testemunha que há um Criador", tem ele razão? Ou seria este pensamento de Voltaire exatamente a irracionalidade expressa ao longo de toda uma vida pela causa da Razão?

     Tenho que é de pouca relevância tentar "comprovar Deus pela razão", afinal, como provar o que no campo do humano é a própria expressão da Improbabilidade? Como tecer de maneira lógica, alguém que se de fato real, transcende a própria lógica, sendo a realidade não Lógica? Alguns até mesmo se aventuram a tal empreitada e merecem seu respeito, haja vista que como tentou evidenciar o Filósofo e Teólogo Agostinho de Hipona, fé e razão não são uma antítese necessariamente, mas a própria razão serve a fé. Entretanto se concordo que necessariamente Fé e razão não são uma antítese, pondero que não se pode compreender a fé sempre partindo da razão, uma vez que a fé é exatamente a transcendência da razão.

     Não apenas Filósofos, por vezes ignorados pela acusação de trabalhar apenas com o abstrato, mas mesmo cientistas que são em sua maioria céticos quanto ao que é abstrato, tentaram ousadamente pesquisas visando provar pela experimentação física a existência de Deus. Não pouparia elogios a tamanho empreendimento, contudo ainda acredito ser inútil tentar  provar pela física o que na realidade é metafísico. Vou um pouco além, se pudessem provar Deus pela Física, a Fé seria inútil, pois afinal: " Fé é a certeza das coisas que não se veem" (Hb. 11.1). Eu citaria o grande existencialista (cristão?) Soren A. Kierkegaard em seu "Temor e Tremor": A fé é um Salto no escuro!
Escuro não como uma indicação das trevas, mas como o lugar do desconhecido. Crer é lançar-se no desconhecido e só pode ser Fé verdadeira se nos arrancar de tudo aquilo que é natural, físico e comprovável.

     Se Deus Existe? É uma certeza incerta! Incerta porque ninguém jamais o viu- o Evangelho isto afirma- (I João 4.12), mais desmotivador ainda: Ninguém jamais pode vê-lo!É mais uma vez o veredicto da Escritura (Êx. 33.20). Que certeza posso ter de algo que ninguém nunca viu? Pior ainda, jamais pode vê-lo? É coerente acreditar no que é declaradamente INVISÍVEL? Mas é ao mesmo tempo certeza, pois se por um lado Ele é Invisível e inacessível como Paulo afirmou (I Tm. 6.16) em contrapartida, o Deus oculto que denominamos incognoscível (não se pode conhecer) se revelou em plenitude na pessoa bendita do Filho unigênito (João 1.18). O que significa isto? Somente em Cristo temos uma compreensão de quem realmente Deus é, não o que Ele é na sua totalidade -ainda que Jesus é totalmente Deus- mas apenas na sua revelação. Não que Jesus não pudesse revelar Deus de Todo Pleno, mas porque nós não temos condição alguma de conhecê-lo na sua plenitude, por isso Ele vivia afirmando que " nos falava em parábolas". Porque grande de fato é este mistério.

   Parece que meu raciocínio decresceu de uma análise filosófica para teológica e meramente religiosa? Pois afirmo que não! Afinal quem disse que Deus em sua revelação na pessoa de Cristo está "empacotado na caixinha da religião?" Deus não é religioso! Muito menos se permite ser "objeto" da Religião. Se Ele por generosidade se revela também dentro da religião não nos confundamos por isto, afinal Deus é transcendente. Está em tudo, sem que tudo seja Deus (Longe de qualquer panteísmo), está em tudo porque nada pode subsistir fora de Deus, afinal sua presença é onipresente (Em todos os lugares Deus está).

      Pasmem! Mas Deus não tem sequer qualidades! Como não, se as Escrituras estão repletas de textos afirmando que Deus é bom, misericordioso, compassivo?- Me questionaria alguém. Puro antropomorfismo- Forma humana para Deus- Nada mais é do que uma adequação a nossa limitada compreensão humana para tentarmos entender não o que Deus tem (qualidades), mas na realidade Ele É. Isto mesmo- Deus não tem qualidade porque na realidade Ele é Essência-! Deus não ama (qualitativamente) Ele é Amor. Deus não tem misericórdia (qualitativamente) Ele é Misericórdia. Deus não é bondoso (qualitativamente) Ele é Bondade. A diferença? Tudo que não é a essência é forma apenas. A forma é aparente -por exemplo- As pessoas aparentem amor, bondade, misericórdia, mas são mutáveis. Deus não aparenta, Ele é exatamente tudo isto essencialmente.

       Por fim, Deus ainda que revelado perpetua sua incognoscibilidade. Nada podemos saber sobre Deus- exceto em Cristo! E se por fim Ele existe ou não- não é uma resposta que se origina na exterioridade ou no objetivo, apenas na interioridade e individualidade daquele que pode viver Deus partindo de uma compreensão das palavras do Próprio Deus:

"Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou a tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido Filipe?Quem vê a mim vê o Pai, e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?" (João 14.8-9)

       Provar Deus? É mais coerente Vivê-lo!

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

João 14:8-9
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

João 14:8-9
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

João 14:8-9

27 de outubro de 2013

A Cruz: O Símbolo Perdido

    A Cruz é um símbolo historicamente e mundialmente conhecido e mesmo reconhecido.
Infelizmente para alguns, como os judeus por exemplo, a Cruz fala de perseguição, violência e um ódio feroz, pois ao longo da Idade Média foi fazendo uso da Cruz como símbolo que a Igreja Católica declarou e executou perseguição aos "assassinos de Cristo".  Não apenas os judeus, mas diversificados povos ao longo de toda a Idade Média ( Século V-XV d.C) sentiu a fúria implacável dos Tribunais da Inquisição e da Ordem dos "Cavaleiros de Cristo" (Os Templários) hasteando o estandarte da Cruz. Fato é que a Cruz para muitos é sinônimo de ódio e terror implacáveis. Entretanto a Cruz é um símbolo que prefigura grande parte das Escrituras Sagradas, especificamente o que denominamos de Novo Testamento. Vale lembrar que a Vida dos Cristãos começa exatamente na Morte do Cristo na Cruz, se o cordeiro veterotestamentário era imolado em um altar de pedra, o Cordeiro de Deus (Jo. 1.28) foi sacrificado numa Cruz de madeira. Sabiamente foi posto por alguém em dias contemporâneos: "É do sangue de Jesus Cristo na Cruz que nasce a comunidade dos Cristãos". É verdade que "maldito seria aquele que fosse pendurado em um madeiro" (Gl. 3.13), mas maldito não era o madeiro em si, mas sim aquele que nele fosse pregado, que antítese colossal! O Bendito foi feito maldito por nós e é exatamente da maldição do madeiro que jorra a benção de Deus para as nações, porque se não houvesse Cruz, certamente não haveria o Domingo glorioso da ressurreição (Mc.16). Alguns cristãos e mesmo Igrejas ignoram ou mesmo rejeitam o símbolo da Cruz, temos liberdade em Cristo (Gl. 5), mas acredito que nosso caminho e o da Cruz estão entrelaçados para sempre, aliás que outra mensagem mais sublime a Cruz transmite senão o homem perdido na sua direção morta e vazia na horizontal quando é atravessado pelo amor e misericórdia de Deus que fluem da Divina direção vertical, de cima para baixo alcançado a nós outros pequenos e frágeis pecadores!

     A Cruz é mesmo o símbolo perdido. Perdido porque nós mesmos nos perdemos. Esquecemos que ninguém pode ser verdadeiro discípulo sem que antes "Tome sua Cruz e siga-me!" (Lc. 9.23). É isto mesmo que o Mestre disse, ou estamos equivocados: O Discipulado começa com a Cruz! Porque a Cruz? Muito simples, para o judeu daquele época a Cruz só tinha um significado: Morte! Mas a sublime revelação é esta: Ninguém pode viver a vida de Deus sem antes morrer pra si mesmo! Paulo entendeu bem isto e declarou:

   "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gl. 2.20)

    Repensemos nossa profissão de fé. Talvez antes de buscarmos avançar para o que está adiante (Fl.3.11-13) devamos retroceder a um passado tão distante, exatamente a dois mil anos atrás e nos ajoelharmos a sombra da Cruz, semeando lágrimas de arrependimento para gerarmos frutos dignos de arrependimentos (Mt.3-5-8). E a partir da Cruz podermos com sinceridade declarar como o dogma maior da nossa Fé:

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo." (Gl. 6.14)

20 de outubro de 2013

Camisa Clerical: Católica ou Protestante?

Certamente todos nós ao vermos uma blusa como esta associamos a figura de um Padre ou sacerdote católico romano. Ainda acredito que se muitos cristãos de origem protestante, reformada ou evangélica vissem um Pastor ou ministro de sua comunidade usando uma blusa como esta se não se sentissem escandalizados, no mínimo se assustariam, afinal temos certeza que esta é uma "blusa de Padre", certo? Errado!


Para um cristão que valoriza suas raízes protestantes e/ou reformadas vale a pena conhecer a verdadeira origem da "Blusa clerical".

     O colarinho clerical (dog collar) foi usado pela primeira vez ao redor de 1827. Aparentemente, foi criado pelo Rev. Dr. Donald McLeod, pastor presbiteriano da Igreja de Escócia, conforme informação publicada pela "Church of England's Enquiry Centre" em 1894. O Rev. Dr. McLeod inventou um método simples para poder tirar ou colocar de volta a aba branca da camisa clerical.

     Certamente, o uso de versões prévias ao colarinho (dog collar) remontam ao tempo da Reforma e, principalmente, ao século 17. Só precisamos olhar pinturas daquela época para encontrar  ministros presbiterianos, anglicanos e, inclusive, batistas, usando um colarinho na sua batina ou toga.

     Foi desenvolvido para ser usado diariamente pelo ministro, porque resultava mais confortável que o uso da batina. O uso da camisa clerical cresceu rapidamente entre os Anglicanos e, por isso, muitos acreditam que foi um invento anglicano, ou que o Rev. Dr. Donald McLeod era Anglicano.

O seu uso atual

     Na atualidade, encontramos quase todas as igrejas históricas usando a camisa clerical em maior ou menor grau. Também, encontramos o uso entre Pentecostais, como a Igreja Cristã Nova Vida. Também, é usado por igrejas tão diferentes como as Ortodoxas, Vetero-católicas na Europa, Copta no Egito, Armênia Apostólica, Mar Tomas na Índia, etc.

   De fato, os católicos romanos só começaram a usá-la a partir da nova reforma litúrgica que começou na França nos anos posteriores ao Concílio Vaticano II. O uso da camisa clerical era uma substituição idônea ao uso da batina.

     Na igreja anglicana é usado por todos os ministros: bispos, presbíteros e diáconos, e também pelos pastores. Na tradição Oriental, existem certas igrejas que permitem o seu uso para os subdiáconos e leitores.

Um símbolo cristão

  Quando pensamos no significado simbólico do colarinho clerical, precisamos entender a importância do símbolo na vida cristã. Existem símbolos em todas as tradições e igrejas Cristãs, ainda quando os membros destas não percebam os símbolos como tais.

     O “símbolo” é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo quotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Embora existam símbolos que são reconhecidos internacionalmente, outros só são compreendidos dentro de um determinado grupo ou contexto (religioso, cultural, etc.).

    Neste sentido, os símbolos cristãos tem uma grande importância na sociedade atual, porque são a proclamação visível da verdade invisível. Em outras palavras, quando um ministro cristão veste uma camisa clerical, qualquer que seja o lugar onde ele se encontre... as pessoas são conscientes da sua presença, sendo assim uma proclamação visível da presença de Deus no meio da sociedade.

    Ao mesmo tempo, é um símbolo visível de que a sociedade brasileira ainda é uma sociedade cristã, ainda que os políticos e os ateus tentem impor um estado laico através da constituição brasileira.

   Ao mesmo tempo, Cristo se faz visível em meio à comunidade através dos seus ministros (servos), como embaixadores do Reino e líderes dispostos a servir a qualquer pessoa que precise de oração e uma palavra de conforto.

"O uso de símbolos é um sinal e um testemunho vivo de Deus no mundo secularizado. Pois uma das características do movimento de secularização o desprezo por sinais e símbolos religiosos. Para as pessoas o fato de ver um ministro com o colarinho clerical já é um testemunho de fé. Assim como vendo um militar lembramos-nos da Lei, e vendo um enfermeiro (a) com seu uniforme branco lembramos o hospital. Igualmente é válido para os pastores que freqüentam lugares públicos usar o colarinho clerical." (Rev. Jaziel Cunha)

Que significa?

    O colarinho simboliza o jugo de Cristo. Os ministros de Deus estão chamados a ser modelos de vida para a comunidade cristã. Precisam moldar suas vidas seguindo o exemplo de Cristo, conforme Mateus 11.28-30, "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve."

    Ao mesmo tempo, o colarinho clerical lembra que o ministro não fala em nome próprio. Mas ele é um ministro de Deus chamado a ensinar a Palavra de Deus e a proclamar o Evangelho de Cristo. A aba branca é uma lembrança de que o ministro precisa predicar só a palavra de Deus pura sem adicionar nada que não seja a fé verdadeira e a sã doutrina.

Fonte:http://cafecomobispo.blogspot.com.br/2010/12/o-colarinho-clerical.html

Acrescento:


    No simbolismo das cores temos o Preto na blusa que remete a morte ou ao luto apontando para o fato de que o ministro de Cristo está morto para si mesmo e agora vive para Deus (G. 2.20).
E o Branco que sobressai ao preto na argola fala da santidade do ministro que deve estar evidente e deve ser o condutor da sua nova vida como morto-vivo: Morto para o mundo e vivo para Deus!


Vale refletir:

    Infelizmente o cristianismo de hoje é abundante em misticismo e até mesmo em "mágicas evangélicas". Todavia seria mararilhoso nos voltássemos para os ricos simbolismos bíblicos como os veterotestamentários e mesmo os simbolismos que nasceram com a Reforma Protestante mas tem um profundo apelo bíblico.
Certamente isto é utópico, mas quem dera se nós ministros (me incluo) trocássemos nossos ornamentos vaidosos e que não trazem nenhum significado (terno e gravada lembra muito mais o homem executivo de negócios) por vestimentas simples (como a blusa clerical usada pelos reformadores (?!) ) que trazem mensagens tão profundas.
Entretanto o que mais importa nesta hora não é uma mudança externa (prioritariamente) mas um novo nascimento que começa no interior e se evidencia no exterior.

17 de outubro de 2013

Casa de Oração ou Covil de Salteadores?

Casa de Oração ou Covil de Salteadores?

Antes de uma possível reflexão, vamos a um texto fundamental para o problema proposto:


   E ele os ensinava, dizendo: "Não está escrito:
   A minha casa será chamada casa de oração  para todos os povos?
  Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões" (Marcos 11.17)


     O Templo era e é um lugar essencial na espiritualidade judaica, nasceu da vontade do próprio Criador (crê a fé judaico-cristã) tencionado a se relacionar com sua criatura conforme o Êxodo 25. Inicialmente era um Tabernáculo, um tipo de "congregação-itinerante". Alguns séculos depois, dentro de um contexto bem diferente (Israel agora era independente e vivia um auge político-econômico) Davi ha Melech, o Rei Davi propões a construção de uma Casa  para Deus, sonho que se consuma em Salomão. A história do Templo é longa e está inclusa mesmo no panorama escatológico (O 3° Templo será possivelmente construído e profanado pelo anti-Messias. E o 4º Será construído e será de onde o Messias reinará no Milênio) mas em síntese, o Templo era para o judeu um ponto de encontro entre o Divino e o humano, o Eterno e o mortal. Era ali onde Deus se manifestava e se relacionava com seu povo. Vale frisar: O Templo era um lugar de pelo menos três propósitos:
  • Sacrifício: O lugar do sacrifício era o Mishbea (palavra hebraica para altar) cujo significado básico era: o lugar onde morro pra mim mesmo.A idéia era básica, ninguém poderia se aproximar de Deus sem antes morrer para si mesmo, para entrar na presença do Eterno Deus era necessário morrer pra si mesmo para experimentar a vida de Deus;
  • Adoração: Para se aproximar de Deus era necessário se esvaziar do seu egocentrismo e se entregar em adoração a Deus, adorar era muito mais que ecoar sons audíveis, era entregar sua própria alma como uma expressão maior do amor e anseio por Deus (Sl. 42).
  • Purificação: Lugares como a Pia de Bronze e o Altar do pátio, lembravam a criatura da sua condição carente e pecadora, portanto precisava sempre do derramamento de sangue do Cordeiro para purificação, apontando para o sangue do Cordeiro de Deus que seria derramado para remissão dos pecados de todo aquele que n'Ele cressem (Jo. 1.28-29)
     Todavia a deturpação dos princípios foram evoluindo e a santidade e temor foram suplantados pela indiferença e a corrupção física e moral. O Templo foi profanado por babilônios em 586 a.C, por Romanos em 167 (Aprox.) e destruído por Tito em 70 d.C, todavia já havia sido profanado pela indiferença e superficialidade da fé comunitária dos Judeus.

     Nos tempos do Messias (ano 30 E.C) não era diferente: O Templo estava sendo profanado! A Casa de Oração havia se tornado Covil de Salteadores! O Centro espiritual se tornou um Centro comercial! Mas o que este texto bíblico tem de real e prático para a nossa realidade pós-moderna em pleno século XXI? Vamos visitar as nossas congregações modernas:

Quais as mensagens são centrais?
Qual o teor destas mensagens?
Quais finalidades objetivam?

       Nossas congregações têm tido o perfil de "Casa de Oração" ou " Covil de Salteadores"?
Será que o espírito do capitalismo que gera uma busca desenfreada pelo materialismo exacerbado já perfurou a camada de ozônio da nossa atmosfera espiritual? A resposta é fácil de ser detectada:
Basta observar se o centro da mensagem pregada é o Reino dos Céus ou o incentivo a construção de um Reino material. Basta observar se o teor da mensagem pregada é o Cristo que em breve virá buscar sua Eclésia ou somente um Cristo que satisfaz todos nossos desejos (na maioria das vezes egocêntricos e individualistas). Basta observar se o símbolo da nossa fé ainda é a Cruz (onde morremos para nossa pecaminosidade e vivemos para Deus (Ver. Gl. 6.14) ou se as cifras R$ tomaram o lugar dela. Basta observar se a "Teologia da Prosperidade" assumiu o lugar da Teologia que enfoca: O Compromisso, a Santidade, a Piedade e a Fraternidade Cristã.

      É importante deixar claro que não há nenhum problema em ser próspero, afinal um Deus que é Criador e Dono de toda a terra (Gênesis 24) tem certamente o melhor para aqueles que o ouvem e obedecem (Is. 1.19/ Dt. 28), o problema está no fato do discurso materialista tomar o primeiro lugar na mensagem do Reino. Afinal ainda é vívida as Palavras do Mestre: " Para aqueles que o buscam e seu Reino, as demais coisas (Inclusive prosperidade material) são apenas acréscimo" (Mt. 6.33). Não tenciono trazer nenhuma solução mágica, mas proponho repensarmos melhor a nossa fé, analisarmos e discernirmos melhor nossos pregadores e tomarmos todo o cuidado para que a Casa de Oração não se torne Covil de Salteadores...

     Afinal de contas, os salteadores serão expulsos e o machado já está posto a raiz das árvores é declamação do Evangelho! (Mt. 3-3-7)
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.

E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.


E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
Marcos 11:17
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
Marcos 11:17
E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.

Marcos 11:15-17
E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.

Marcos 11:15-17